29 de Junho de 2026
Prémio Nacional de Banda Desenhada distingue vários autores
Já são conhecidos os vencedores da 1.ª edição do Prémio Nacional de Banda Desenhada (PNBD). O júri, composto por Sara Figueiredo Costa, Pedro Cleto e Sara Ludovico, deliberou por unanimidade atribuir as três distinções previstas: Prémio Carreira, Prémio Obra do Ano e Prémio Inovação em Banda Desenhada.
O Prémio Carreira foi atribuído a António Jorge Gonçalves, reconhecido por uma trajetória que o júri descreve como «permanentemente inovativa e eclética, que nunca estagnou ou se acomodou a um tipo de traço». O júri destacou o seu trabalho experimental com cores, materiais e linguagens narrativas, bem como a forma consistente como tem vindo a refletir sobre os limites e possibilidades da banda desenhada, cruzando-a com a ilustração e a cenografia. Trata-se de um percurso que, segundo o júri, tem vindo «revolucionando a nossa forma de ler e sentir a arte sequencial, o mundo e a sociedade».
O Prémio Obra do Ano distinguiu Dormindo entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, editado pela Zigurate. Para o júri, trata-se de «um testemunho muito relevante sobre a pandemia da COVID-19 no Brasil, particularmente no espaço amazónico», construído a partir de um registo pessoal e crítico que evita reduzir as personagens a meros veículos de informação, articulando testemunho e narrativa autobiográfica. O júri sublinha ainda o equilíbrio entre humor e gravidade, bem como «o traço sóbrio do desenhador brasileiro Felipe Parucci» na representação do quotidiano de um serviço de urgência hospitalar.
O Prémio Inovação em Banda Desenhada foi atribuído a Rumo ao Eclipse, de Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa e Hugo Soares, editado pela Chili Com Carne. O júri destaca a natureza híbrida da obra, «um jogo de role play a partir de um livro de banda desenhada pré-existente», que expande as possibilidades do meio sem o simplificar, antes tirando partido das suas lógicas narrativas. A obra é apontada pelo júri como «um exemplo perfeito de inovação e uma esperança», cruzando arte, ciência e participação ativa do leitor através de escolhas narrativas que exigem colaboração, imaginação e responsabilidade.
Gerido pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), o Prémio Nacional de Banda Desenhada foi criado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto com o objetivo de reconhecer e valorizar a produção nacional no domínio da banda desenhada, promovendo a sua diversidade, qualidade artística e relevância cultural.